In this soft madness while morning rises, unrevealed dreams remain surrounding my recently awaken mind. I feel like other countries and I feel the warmth of beloved hands I held for an undefined while. I’ve been to Istanbul with my eyes, to Paris with my skin; I’ve been to Lhasa with my thought and with my sins to New Orleans. Now I’ve gotten up from my magic-carpet-first-class-airplane-pillow and I brush my hair looking at the mirror while posting mental smooth inaccurate pictures on the spice draw in my kitchen.
The moustache full of good advices of my grandfather spreads memories and tears and smiles and deep doubts about life and friends. I watch people write delicately a sweet note for me. A travel invitation, a little gossip, a little flower. Funny pearls or salty candies. Fragments of a calm old-known solitude.
I brush my hair and I look at me doing it in the mirror and I feel like foreign poetry and family womb. My inner keeps me safe and still while I’m out for a good day.
Jasmin dans la tisane et gateaux au carrot.
Philosofie et la petite chat Sophie.
Une télé caché
et toute la felicité que la vie rendre dans un jour de congé.
Não há caminho da esquerda. Não há caminho da direita. Portanto não há caminho do meio. Eis aí o caminho do meio.
terça-feira, 3 de junho de 2008
sábado, 10 de maio de 2008
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Diálogos
Pai e filha na fila das Sendas, ao lado da sala de culinária:
- Papai, pra que serve aquela sala?
- Ah, ali acontecem aulas de culinária.
(o pai reflete acerda da abstração da palavra)
- Você sabe o que é culinária?
(expressão entre vaga e tímida)
- Não...
- É a arte de cozinhar!
(aí eu realmente pensei que o pai fosse se complicar com o desenrolar da conversa)
- O que é arte?
Seria uma continuação incrível pra um diálogo de fila de supermercado, mas ao contrário eu ouço a pequenina dizer:
- Ah, é fazer feijão, sorvete...
Duas universitárias no sofá, assistindo novela:
- O Ferraço e a Maria Paula vão casar!
- Ah, também acho! Até porque ele agora está mudando e vai se apaixonar de verdade pela Maria Paula.
- Tá doida? E você por acaso acredita em homem?
- Claro que não, mas eu acredito em novela.
- Papai, pra que serve aquela sala?
- Ah, ali acontecem aulas de culinária.
(o pai reflete acerda da abstração da palavra)
- Você sabe o que é culinária?
(expressão entre vaga e tímida)
- Não...
- É a arte de cozinhar!
(aí eu realmente pensei que o pai fosse se complicar com o desenrolar da conversa)
- O que é arte?
Seria uma continuação incrível pra um diálogo de fila de supermercado, mas ao contrário eu ouço a pequenina dizer:
- Ah, é fazer feijão, sorvete...
Duas universitárias no sofá, assistindo novela:
- O Ferraço e a Maria Paula vão casar!
- Ah, também acho! Até porque ele agora está mudando e vai se apaixonar de verdade pela Maria Paula.
- Tá doida? E você por acaso acredita em homem?
- Claro que não, mas eu acredito em novela.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
As dores de Alice II
Alice deitada em sua cama tentava acordar. Já passava das oito e havia toda a rotina para recriar. Difícil levantar-se, mesmo com a persiana quebrada pela sua falta de delicadeza, pois agora a luz dominava o quarto todas as manhãs com seu calor. Mas hoje a claridade era demais até para acordar. Tanta luz assim doía os olhos e escurecia os pensamentos. Tenta se cobrir. Mas o frescor da manhã se foi, seu corpo começa a se molhar. Alice não é mais criança pra se esconder do dia por vir debaixo das cobertas. Aliás, essa reflexão a lembra de um louco professor explicando o porvir. O porvir não, o devir! O porvir não passa do futuro, o devir o excede. O professor da época da faculdade lhe diz em sua memória com os olhos arregalados e a mão negra apontando um dedo pro nada “O rio de ontem não é o mesmo do hoje!”. Decide que é assunto deveras incômodo e indigesto para toda aquela opressora luz do dia inteiro começando. Ou recomeçando, se usar o rio de Heráclito como metáfora.
O que fazer agora, o que fazer? Estala as costas se espreguiçando e quando termina deixa um pouco de luz entrar pelos ouvidos e se ouve dizendo para a janela: atraso, banho e chá de jasmim.
O que fazer agora, o que fazer? Estala as costas se espreguiçando e quando termina deixa um pouco de luz entrar pelos ouvidos e se ouve dizendo para a janela: atraso, banho e chá de jasmim.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Rio de Janeiro, 1º de abril de 1963.
Amada,
Escrevo estas timidamente porque hoje meu silêncio habitual não contém meu sentir. Quero te desejar feliz aniversário. Você não tem idéia – você realmente não sabe – o quanto a sua presença no mundo me faz bem e o quanto eu sou grato ao que quer que seja responsável pela nossa existência, de poder ter vindo ao mundo na mesma época em que você passa por aqui nestas formas tão belas, com esta alma tão belamente lapidada que escapa pelos seus olhos. Claro que você nem imagina, afinal, já faz mais de mês que não nos falamos, e foram só três as vezes que nos vimos, apesar de que você me beijou em todos esses encontros e senti como se fosse experimentar estes beijos pela primeira vez ainda muitas vezes. Sim, por certo, sou patético. Pode apostar que tento viver aqueles versos dos seus sambas preferidos tentando não lembrar do quanto sofreram todos aqueles que os escreveram.
Mas é seu aniversário, e eu só quero comemorar, querida. Dar um abraço, afagar seus cabelos curtinhos. Como não faço idéia de onde te encontrar, escrevo esta carta pra enviar quando souber seu endereço. Ando trabalhando e estudando demais, espero poder me dedicar a descobrir seu paradeiro em breve.
Na verdade, já faz dias que penso neste seu aniversário. Acredite, dias. Mesmo que faça semanas que você já tenha se esquecido da minha existência. Estava cumprindo com afinco a tarefa de não me dirigir a você. Até que hoje no táxi passei pelo porto e o motorista comentou “esses navios são lindos”. Não sei o que isso ter a ver contigo, mas foi o que me despertou o desejo de lhe escrever. Ainda assim, era só um desejo, você sabe como sou meio austero com meus desejos. Mas a viagem era longa, eu estava indo pra Ilha do Governador e novamente seu taxista – claro que era seu, só me fez lembrar de você – disse que morava perto da sua escola de samba preferida. Jude, sua escola de samba! Talvez fosse um sinal. Então fiz a minha brincadeira particular com o destino e disse pra essa entidade que encaminha sinais e lê mentes que precisava de mais um sinal pra te procurar, já que estava tão determinado a te esquecer. E não é que no fim do dia vejo um livro com teu nome? Era o nome da autora. Não lembro o sobrenome, não lembro o título; era fino e verde-musgo. Quem, dentre tantos livros, presta atenção em um pequeno exemplar verde-musgo? Quem, dentre tantos nomes, tem o nome igual ao teu? Então escrevo. Escrevo e te imagino e te desejo. Festejo em mim o dia no qual você, linda, linda, apareceu no mundo.
Um dia espero comemorar tua vida contigo. Mesmo que não seja teu aniversário. Todo dia vai ser como se fosse quando nos reencontrarmos. Claro que vamos nos reencontrar, não se pergunte. Sei bem que teus raciocínios não te deixam ouvir a voz do coração, este que sempre soube o futuro de todos os amores que começam.
Querida, não consigo mais dizer nada. Recolho-me ao mesmo silêncio de quando leio seus versos. De quando ouvi os versos que você fez pra mim, lembra? Ai, como ainda estou apaixonado e nem sei pra onde endereçar esta carta!
Perdoa se me demoro em terminar estas linhas, mesmo já tendo anunciado seu fim. É como me despedir de ti sem saber quando nos retornamos a ver. Olho para este fino papel como olhei seus olhos todas as vezes que nos despedimos, ingenuamente perguntando se te contemplaria novamente, se nos beijaríamos novamente. Ah, como sou tolo, Jude, me perdoa. É que te amo tanto. Nem me preocupo em explicar, você sabe.
Feliz Aniversário. Receba esta carta e o meu amor, que você já tinha, como presente.
Hoje brindarei à sua vida sozinho.
Um beijo,
Antônio.
Amada,
Escrevo estas timidamente porque hoje meu silêncio habitual não contém meu sentir. Quero te desejar feliz aniversário. Você não tem idéia – você realmente não sabe – o quanto a sua presença no mundo me faz bem e o quanto eu sou grato ao que quer que seja responsável pela nossa existência, de poder ter vindo ao mundo na mesma época em que você passa por aqui nestas formas tão belas, com esta alma tão belamente lapidada que escapa pelos seus olhos. Claro que você nem imagina, afinal, já faz mais de mês que não nos falamos, e foram só três as vezes que nos vimos, apesar de que você me beijou em todos esses encontros e senti como se fosse experimentar estes beijos pela primeira vez ainda muitas vezes. Sim, por certo, sou patético. Pode apostar que tento viver aqueles versos dos seus sambas preferidos tentando não lembrar do quanto sofreram todos aqueles que os escreveram.
Mas é seu aniversário, e eu só quero comemorar, querida. Dar um abraço, afagar seus cabelos curtinhos. Como não faço idéia de onde te encontrar, escrevo esta carta pra enviar quando souber seu endereço. Ando trabalhando e estudando demais, espero poder me dedicar a descobrir seu paradeiro em breve.
Na verdade, já faz dias que penso neste seu aniversário. Acredite, dias. Mesmo que faça semanas que você já tenha se esquecido da minha existência. Estava cumprindo com afinco a tarefa de não me dirigir a você. Até que hoje no táxi passei pelo porto e o motorista comentou “esses navios são lindos”. Não sei o que isso ter a ver contigo, mas foi o que me despertou o desejo de lhe escrever. Ainda assim, era só um desejo, você sabe como sou meio austero com meus desejos. Mas a viagem era longa, eu estava indo pra Ilha do Governador e novamente seu taxista – claro que era seu, só me fez lembrar de você – disse que morava perto da sua escola de samba preferida. Jude, sua escola de samba! Talvez fosse um sinal. Então fiz a minha brincadeira particular com o destino e disse pra essa entidade que encaminha sinais e lê mentes que precisava de mais um sinal pra te procurar, já que estava tão determinado a te esquecer. E não é que no fim do dia vejo um livro com teu nome? Era o nome da autora. Não lembro o sobrenome, não lembro o título; era fino e verde-musgo. Quem, dentre tantos livros, presta atenção em um pequeno exemplar verde-musgo? Quem, dentre tantos nomes, tem o nome igual ao teu? Então escrevo. Escrevo e te imagino e te desejo. Festejo em mim o dia no qual você, linda, linda, apareceu no mundo.
Um dia espero comemorar tua vida contigo. Mesmo que não seja teu aniversário. Todo dia vai ser como se fosse quando nos reencontrarmos. Claro que vamos nos reencontrar, não se pergunte. Sei bem que teus raciocínios não te deixam ouvir a voz do coração, este que sempre soube o futuro de todos os amores que começam.
Querida, não consigo mais dizer nada. Recolho-me ao mesmo silêncio de quando leio seus versos. De quando ouvi os versos que você fez pra mim, lembra? Ai, como ainda estou apaixonado e nem sei pra onde endereçar esta carta!
Perdoa se me demoro em terminar estas linhas, mesmo já tendo anunciado seu fim. É como me despedir de ti sem saber quando nos retornamos a ver. Olho para este fino papel como olhei seus olhos todas as vezes que nos despedimos, ingenuamente perguntando se te contemplaria novamente, se nos beijaríamos novamente. Ah, como sou tolo, Jude, me perdoa. É que te amo tanto. Nem me preocupo em explicar, você sabe.
Feliz Aniversário. Receba esta carta e o meu amor, que você já tinha, como presente.
Hoje brindarei à sua vida sozinho.
Um beijo,
Antônio.
domingo, 2 de março de 2008
As luzes da tarde em minha casa são lindas. Foi tudo construído para o início da manhã e o fim da tarde. Me calo observando uma rotina da qual já não faço parte. Minha mãe brincando com sua sobrinha de quatro anos da mesma forma como fazia comigo nas tardes de férias que ela sempre dava um jeito de tirar junto comigo. Papai lendo na varanda ou consertando algo. E essa luz meio dourada com aura de memória, me convidando a aproveitar o restinho da tarde na rede, a ouvir meu cachorro latir e antes disso fazer um suco pra todo mundo.
Ai, benção e tortura de retornar. Pois retorno e cada vez mais quero ficar neste silêncio colorido, enquanto a vida leva pra não sei aonde barulhento e cansativo.
Ai, benção e tortura de retornar. Pois retorno e cada vez mais quero ficar neste silêncio colorido, enquanto a vida leva pra não sei aonde barulhento e cansativo.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Começa doendo.
Lembra um amor perdido de repente.
Então queima.
Lembra paixão e se parece com antes de entrar no palco,
Mas eis que os joelhos não tremem.
Surge um leve enjôo,
Como se já estivessem sorvidos
os copos que precedem o porre.
Todas os fatos e dias engolidos
Se acomodam e pesam
No final de minhas costelas.
Emoções que me recuso a digerir
Irrequietas no meu esôfago.
Me deito e procuro abraçar
Com o corpo exausto e preocupado
Este sofrido estômago,
Arauto de meu subconsciente.
Lembra um amor perdido de repente.
Então queima.
Lembra paixão e se parece com antes de entrar no palco,
Mas eis que os joelhos não tremem.
Surge um leve enjôo,
Como se já estivessem sorvidos
os copos que precedem o porre.
Todas os fatos e dias engolidos
Se acomodam e pesam
No final de minhas costelas.
Emoções que me recuso a digerir
Irrequietas no meu esôfago.
Me deito e procuro abraçar
Com o corpo exausto e preocupado
Este sofrido estômago,
Arauto de meu subconsciente.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Se apaixonar não estava nos planos. Era algo pra depois de realizar sonhos mais concretos e sérios – ela não sabia que um amor era algo da maior seriedade e leveza. Teve que aprender entre muito trabalho, aflições, estudos, sorrisos de alívio e passeios de mãos dadas. Começaram então a aparecer flores entre as páginas de seus livros de Direito.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
O terceiro
Ela ouvia Vinicius de Moraes e amava. Mas sem tanta dor como nas canções.
Enquanto isso lembrava do terceiro encontro com o seu poeta.
Finalmente eles ficaram a sós na sala. No continuaram sentados no sofá conversando baixinho. A luz de dois abajures deixava a sala em tons de terra e amarelos envelhecidos, sem aquele manjadíssimo azulado da tela do computador que os unia e separava friamente. Ela estava mais calma do que imaginara estar. Serena. Sem pressa. Num momento de silêncio ela o olha com ternura e pega sua mão. Ele calmamente olha. Não se assusta. Mas Claire sabe que ele ainda não a quer. Seu amor é tão grande que precisa tocá-lo. Não ardentemente, mas ternamente, como quem contempla, como quem cuida de orquídeas.
Leva a mão dele até sua face. Acaricia-a. Segura aquela mão entre as suas pousando-a em seu colo e desce os olhos até ela, olha as unhas mais belas e masculinas que já viu. Os dedos e as poucas veias que a juventude permite aparecer. Admira aquele pedaço que contém tanto do seu amor. Beija aquela mão esquerda e não olha para o seu rosto. Não agora. Fecha os olhos e respira com calma, o momento é pleno dentro do ser de Claire. Ainda segurando a mão dele, a mão direita de Claire alcança aquele rosto suave, suavemente, deleitosamente. O olhar do poeta derramava melancolia, poesia dentro dela. Toca-lhe a maçã do rosto com as costas da mão, deslizando, sentindo a barba por fazer. Vira a mão devagar e passa os dedos delicadamente sobre o canto da sobrancelha, depois o polegar. Desce os dedos passando pelos curtos e largos caracóis castanhos atrás da orelha e por entre os dedos lembra do cheiro em seu pescoço, em sua pele, que havia sentido nos breves abraços. Retorna com o polegar aos lábios. Imagina-os encostando-se em seus próprios lábios tão sensíveis. Qual seria o gosto, a temperatura de seu hálito? Ele se deixa admirar. Não a olha com assombro, nem demonstra qualquer emoção. Uma deidade. Nem ela o quer agora. Quer exatamente o que tem, satisfaz-se com a presença física, com a inexistência das palavras escritas sem ensaio. Sem a tela do computador. O toque. As suas mãos nele. Suas mãos. Nele.
Enquanto isso lembrava do terceiro encontro com o seu poeta.
Finalmente eles ficaram a sós na sala. No continuaram sentados no sofá conversando baixinho. A luz de dois abajures deixava a sala em tons de terra e amarelos envelhecidos, sem aquele manjadíssimo azulado da tela do computador que os unia e separava friamente. Ela estava mais calma do que imaginara estar. Serena. Sem pressa. Num momento de silêncio ela o olha com ternura e pega sua mão. Ele calmamente olha. Não se assusta. Mas Claire sabe que ele ainda não a quer. Seu amor é tão grande que precisa tocá-lo. Não ardentemente, mas ternamente, como quem contempla, como quem cuida de orquídeas.
Leva a mão dele até sua face. Acaricia-a. Segura aquela mão entre as suas pousando-a em seu colo e desce os olhos até ela, olha as unhas mais belas e masculinas que já viu. Os dedos e as poucas veias que a juventude permite aparecer. Admira aquele pedaço que contém tanto do seu amor. Beija aquela mão esquerda e não olha para o seu rosto. Não agora. Fecha os olhos e respira com calma, o momento é pleno dentro do ser de Claire. Ainda segurando a mão dele, a mão direita de Claire alcança aquele rosto suave, suavemente, deleitosamente. O olhar do poeta derramava melancolia, poesia dentro dela. Toca-lhe a maçã do rosto com as costas da mão, deslizando, sentindo a barba por fazer. Vira a mão devagar e passa os dedos delicadamente sobre o canto da sobrancelha, depois o polegar. Desce os dedos passando pelos curtos e largos caracóis castanhos atrás da orelha e por entre os dedos lembra do cheiro em seu pescoço, em sua pele, que havia sentido nos breves abraços. Retorna com o polegar aos lábios. Imagina-os encostando-se em seus próprios lábios tão sensíveis. Qual seria o gosto, a temperatura de seu hálito? Ele se deixa admirar. Não a olha com assombro, nem demonstra qualquer emoção. Uma deidade. Nem ela o quer agora. Quer exatamente o que tem, satisfaz-se com a presença física, com a inexistência das palavras escritas sem ensaio. Sem a tela do computador. O toque. As suas mãos nele. Suas mãos. Nele.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
As dores de Alice
Nada mudou realmente. Ando desconfiando que o preço que meus sonhos cobram são pagos em horas tediosas. Salas de aula, palavras esterilmente proferidas, pessoas-espelhos. E tudo o que eu posso fazer continua sendo olhar as nuvens passando na janela ou palavras passando no papel. Quando não posso, conto-me histórias para passar o tempo.
(Luiz me disse que os sonhos estão realmente caros).
A dor de cabeça lhe enfraquecia. Lembrava-se das últimas dores; a que veio antes da menstruação, a que veio com o frio, o calor, o clima seco, o cansaço, a desilusão. Não se importava com a dor, simplesmente atribuía-lhes razão de ser. Alice fumou um cigarro, deitou na beirada da cama com a cabeça pendendo. Viu a sujeira debaixo do armário. Pensou em aranhas e em seu medo delas. Pareceu-lhe que o medo era uma outra espécie de dor de cabeça.
Descartou mais um pensamento insípido enquanto de cabeça para baixo sentia seu crânio latejando e seus olhos relutantemente abertos ajudavam os dedos a escolher qualquer canção no seu mp4. Imaginou cenas no mesmo tom das músicas e acabou escolhendo qualquer disco que lhe remetesse a outros tempos. Foi levada para noites passadas que não viveu com velas, almofadas, chão de madeira, nenhuma mobília, verão, tristeza, um violão melancólico e a calma de tempos sem computador.
Ouvindo The Reminder a voz da cantora que soava límpida e chatinha a faz sentir-se bem, quase aconchegada no lugar imaginário que acabara de criar. Sorri, aumenta o volume, levanta-se rapidamente e antes que a cabeça pare de rodar e seus joelhos recuperem a força, dança imperceptivelmente até a cozinha e toma um comprimido.
(Luiz me disse que os sonhos estão realmente caros).
A dor de cabeça lhe enfraquecia. Lembrava-se das últimas dores; a que veio antes da menstruação, a que veio com o frio, o calor, o clima seco, o cansaço, a desilusão. Não se importava com a dor, simplesmente atribuía-lhes razão de ser. Alice fumou um cigarro, deitou na beirada da cama com a cabeça pendendo. Viu a sujeira debaixo do armário. Pensou em aranhas e em seu medo delas. Pareceu-lhe que o medo era uma outra espécie de dor de cabeça.
Descartou mais um pensamento insípido enquanto de cabeça para baixo sentia seu crânio latejando e seus olhos relutantemente abertos ajudavam os dedos a escolher qualquer canção no seu mp4. Imaginou cenas no mesmo tom das músicas e acabou escolhendo qualquer disco que lhe remetesse a outros tempos. Foi levada para noites passadas que não viveu com velas, almofadas, chão de madeira, nenhuma mobília, verão, tristeza, um violão melancólico e a calma de tempos sem computador.
Ouvindo The Reminder a voz da cantora que soava límpida e chatinha a faz sentir-se bem, quase aconchegada no lugar imaginário que acabara de criar. Sorri, aumenta o volume, levanta-se rapidamente e antes que a cabeça pare de rodar e seus joelhos recuperem a força, dança imperceptivelmente até a cozinha e toma um comprimido.
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